Refrigeração Industrial: A Hora é dos Refrigerantes Naturais!

Por Celina Bacellar*

 

Os fluidos refrigerantes dos sistemas de refrigeração industrial são focos constantes de polêmicas no que tange sustentabilidade e outras questões ambientais. Aquecimento global e destruição da camada de Ozônio são sempre assuntos de discussão na concepção de qualquer sistema de geração de frio.

 

Isso remonta a 1974, quando foi descoberto que os CFCs (Clorofluorcarbonos) tinham este poder destrutivo. Até esta época, estes fluidos danosos eram amplamente empregados como refrigerantes e, então, foram banidos pelo Protocolo de Montreal com diferentes prazos para os países desenvolvidos e para os em desenvolvimento. Em 2010, no Brasil, aconteceu a eliminação do consumo total de CFCs.

 

De maneira simplificada, é a presença do Cloro nos CFCs a responsável pela destruição da camada de Ozônio. A radiação UV leva à fotodecomposição das moléculas de CFCs que liberam o Cloro. Este átomo livre se combina com o Ozônio e um único átomo de Cloro pode destruir até cem mil moléculas de Ozônio.

 

Os CFCs não são mais utilizados em equipamentos novos, porém, permanecem em operação em muitos equipamentos antigos. E, depois de tantos anos, ainda é preciso uma conscientização de proprietários e usuários para sua substituição.

 

Após os CFCs, surgiram outros fluidos sintéticos sem o inconveniente da destruição da camada de Ozônio, mas com problemas com o aquecimento global. Vieram os HCFCs (destaque para o R22) e os HFCs, que terão seu uso descontinuado em 2020 para novos equipamentos de acordo com o Protocolo de Montreal. Já os HFCs ainda não têm uma data estipulada de Phase Out, pois apresentam ODP (Ozone Depletion Potential) = 0, mas o GWP é bem elevado – o tão usado R134a, por exemplo, tem GWP = 1300! Por isso, o uso dos HFCs vem sendo controlado por serem gases com impacto no aquecimento global.

 

A “nova” geração de fluidos sintéticos são os HFOs – compostos à base de hidrofluorolefinas.  Frequentemente, os HFOs são misturados com componentes tradicionais como R134a ou R32 para conceder algumas boas propriedades especiais para um dado uso de temperatura. Quanto mais baixo o GWP, mais inflamável eles tendem a ser. O R1234ze é um refrigerante muito popular na Europa: às vezes é comercializado como não inflamável e às vezes é inflamável! A 20°C não é inflamável, mas em uma sala de máquinas quente, a 30°C, é inflamável. Por isso, é sempre bom confirmar as informações que recebemos.

 

A tabela abaixo mostra as diferenças de potenciais de destruição da camada de Ozônio e de aquecimento global dos fluidos mais comumente empregados na refrigeração industrial e dos novos fluidos HFOs:

A relevância da refrigeração industrial no aquecimento global ocorrerá nestas aplicações com fluidos sintéticos. Mais uma vez, o emprego dos refrigerantes naturais coloca a refrigeração em uma posição muito favorável no que tange a questão do aquecimento atmosférico.

 

*Celina Bacellar é gerente de produto de refrigeração industrial da Johnson Controls

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