Custo de Energia Dobra nos Supermercados

O aumento médio de 40% no preço da energia, somado a tributos e alta no próprio consumo, fez o custo do insumo dobrar. O que fazer?

Para alguns, susto, para outros, pesadelo. É assim que os supermercadistas vêm encarando a alta no custo da energia somada ao aumento em seu consumo. Enquanto as residências e indústrias reduziram o uso em 0,6% e 4,3%, respectivamente, o comércio elevou em 1,4%, entre janeiro e agosto deste ano. Os dados são da  Empresa de Pesquisa Energética.

Na Rede Mix, nove unidades na Bahia, o custo do quilowatt/hora – unidade que mede o consumo mensal de energia – dobrou, segundo o proprietário João Claudio Nunes. “O custo correspondia a 50% do que gastávamos com aluguéis, hoje corresponde a quase 90%”, afirma. Ele prevê que essa despesa irá impactar os resultados da loja, reduzindo o lucro anual em um ponto percentual.

Aumento semelhante ocorreu no paulista Futurama, onde a energia elétrica passou de 0,7%  para 1,5% dos gastos totais. “No último ano, tivemos um aumento muito grande, variando de 80% em algumas lojas a 100% em outras”, aponta a rede.

Para amenizar o impacto desse gasto, alguns supermercados vêm usando geradores a combustível. A rede Carvalho & Fernandes, do Piauí, que tem na energia elétrica sua terceira maior despesa, depois dos desembolsos financeiros e com funcionários, passou a usar os geradores nos horários de pico, com bons resultados. “O custo hoje é 30% menor”, afirma Evangelita Carvalho, diretora da empresa. A Rede Mix também usa os geradores a combustível nos períodos com maior movimentação.

Troca de equipamentos antigos

A rede piauiense também passou a abrir as lojas uma hora mais tarde e fechar uma hora mais cedo, períodos em que a movimentação de clientes é menor. E, em breve, irá testar o abastecimento a energia solar em uma das unidades. “Esperamos economizar 30% do que gastaríamos com energia elétrica”, prevê Evangelita. Na Rede Mix, foram feitas reformas para permitir maior incidência de luz solar e trocados equipamentos antigos, como o ar-condicionado e o compressor de refrigeração, que consumiam mais que do necessário.

Tecnologia  para redução automática do consumo

Essas atitudes ajudam, mas são insuficientes. Romualdo Teixeira, consultor de gestão no varejo da RTC, afirma que a melhor forma de economizar é recorrendo a tecnologias que reduzem automaticamente a potência dos equipamentos em momentos de baixo de consumo, ou interrompem o abastecimento em áreas sem operação. “É possível, por exemplo, apagar automaticamente as luzes do centro de distribuição no período que ele fica ocioso”, esclarece o especialista.

Uso de filtros harmônicos

Outra solução importante é o uso de filtros harmônicos, que isolam a energia excedente, enviada na corrente elétrica para os equipamentos. “Muitas vezes, as máquinas esquentam muito, porque estão recebendo mais energia do que precisam. Com o filtro, essa energia excedente é isolada permitindo economia no consumo”, explica Teixeira. Segundo ele, esses equipamentos geralmente custam até R$ 200 mil, mas há fornecedores que não cobram pela instalação. “E há negociações em que o equipamento não custa nada – o varejista repassa ao fornecedor uma parte do valor economizado no consumo de energia”, esclarece.

Uso de lâmpadas LED

Romualdo também recomenda o uso de LED para gerar luminosidade com maior economia, lembrando que a iluminação representa, geralmente, 20% dos gastos com energia elétrica. Segundo ele, adotando várias iniciativas é possível reduzir o custo da energia em até 20%.

Fonte: Supermercado Moderno

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